Investigadores da Universidade de Zurique desenvolvem nova abordagem terapêutica para um dos tumores cerebrais mais fatais ao levar o sistema imunitário a combater as células cancerígenas. O estudo em ratinhos apresentou 80% de sucesso na rejeição do tumor, avança a TV Ciência.
Apesar de os resultados do estudo serem ainda precoces para se falar em tratamento para pacientes com glioblastoma (tumor cerebral maligno mais comum e na maior parte das vezes fatal), dado este ter decorrido em ratos de laboratórios, os cientistas da Universidade de Zurique querem avançar rapidamente para ensaios clínicos em humanos.
Os cientistas do Institute of Experimental Immunology, da Universidade de Zurique sabiam à partida que o tratamento do glioblastoma seria particularmente difícil porque as células T reguladoras dentro do tumor suprimem os ataques do sistema imunitário.
Razão pela qual os cientistas resolveram desenvolver uma estratégia onde simularam o sistema imunitário, de forma a levar o mesmo a reconhecer e matar as células tumorais.
Para isso, os investigadores utilizaram a interleucina-12, uma substância mensageira do sistema imunitário que quando é produzida no tumor leva as células imunes que se encontram no local a reagir para atacar ou rejeitar o tumor.
Uma estratégia que funcionou em ratos de laboratório com glioblastoma em fase ainda precoce, mas Burkhard Becher, coordenador da equipa de investigação explicou, citado em comunicado da Universidade de Zurique, que queriam ir mais longe e "quisemos estabelecer se conseguiríamos iniciar uma resposta imune a um tumor em crescimento dentro do cérebro".
Para isso, os cientistas esperaram que os tumores nos cérebros dos ratos de laboratório aumentassem de dimensão até alcançarem um estágio em que os animais teriam apenas três semanas de vida.
"Começámos o tratamento quando era na verdade já demasiado tarde", explicou Johannes vom Berg, primeiro autor do estudo. O cientista acrescentou que quando o índice de sucesso era já muito baixo "injectámos um biofarmacêutico de interleucina-12 no tumor de grandes dimensões no cérebro" o que "induziu uma resposta imune, mas apenas levou à rejeição do tumor em um quarto dos animais".
Os investigadores adoptaram então uma nova estratégia ao utilizar a combinação de um tratamento de interleucina-12 infratumoral com a administração intravenosa de um novo medicamento imune estimulador que suprime as células T reguladoras.
Uma nova abordagem terapêutica que resultou na rejeição do tumor pelo sistema imunitário em 80% dos animais em teste. Resultados que foram hoje, 25 de Novembro, publicados no Journal of Experimental Medicine.
"Raramente vejo dados tão convincentes no tratamento pré-clínico" deste tipo de tumores, afirmou Michael Weller, neuro-oncologista e Director da Clínica de Neurologia do Hospital Universitário de Zurique, que acrescentou que "é por isso que este desenvolvimento deve ser testado o mais rapidamente possível em ensaios clínicos".
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Alimentação saudável reforça sistema imunitário
Uma alimentação saudável de acordo com a roda dos alimentos é a melhor forma de a população se prevenir à mesa contra a gripe, de acordo com nutricionistas, que só aconselham suplementos a quem apresente desequilíbrios nutricionais.
"O que a população tem de fazer [para se prevenir em relação à gripe] é uma coisa tão simples como esta: fazer uma alimentação saudável", disse à Lusa a professora Flora Correia da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto.
Esta professora, que é também membro da Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação, realça a importância de se cumprirem diariamente os sectores e as quantidades indicadas na roda dos alimentos, sem esquecer a água, "fundamental" na prevenção e tratamento de doenças como a gripe.
A presidente da Associação Portuguesa de Nutricionistas (APN), Alexandra Bento, partilha da mesma opinião e lembra que os bons hábitos alimentares devem ser uma constante e não esporádicos.
"Se a alimentação for saudável ao longo da vida, temos todos os nutrientes de que necessitamos, nomeadamente para termos o sistema imunitário bem reforçado", acrescentou.
Mesmo assim, Alexandra Bento aconselha, em períodos de gripe, alimentos ricos em vitaminas e minerais como frutas e legumes, para reforçar o sistema imunitário.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Pílula feita com bactérias de fezes pode combater infecções intestinais
Unidade 3 - Imunidade e controlo de doenças
"Não há fezes restantes, apenas bactérias das fezes. Essas pessoas não estão comendo cocô, e não há arrotos com mau cheiro, porque o conteúdo não é liberado até que ele esteja bem além do estômago", explica Louie.Segundo o médico Thomas Louie, da Universidade de Calgary, em Alberta, há um banco de doadores – geralmente parentes do doente – de onde as bactérias "do bem" são retiradas, processadas em laboratório e embaladas em cápsulas de gel triplamente revestidas, para que o conteúdo não se dissolva no organismo até que chegue ao intestino.
Novas pílulas de gel contendo bactérias das fezes podem ajudar a tratar infecções intestinais graves e substituir transplantes fecais no futuro, segundo pesquisadores canadenses. Esses comprimidos contêm micro-organismos da flora intestinal de pessoas saudáveis e foram testados com sucesso em 27 pacientes com infecção por Clostridium difficile que já haviam sofrido pelo menos quatro ataques e recaídas e usado antibióticos fortes, sem resultado.
"Não há fezes restantes, apenas bactérias das fezes. Essas pessoas não estão comendo cocô, e não há arrotos com mau cheiro, porque o conteúdo não é liberado até que ele esteja bem além do estômago", explica Louie.Segundo o médico Thomas Louie, da Universidade de Calgary, em Alberta, há um banco de doadores – geralmente parentes do doente – de onde as bactérias "do bem" são retiradas, processadas em laboratório e embaladas em cápsulas de gel triplamente revestidas, para que o conteúdo não se dissolva no organismo até que chegue ao intestino.
As pílulas também precisam estar "frescas", para que não se dissolvam em temperatura ambiente, já que seu teor de água pode romper o revestimento de gel. Dias antes de o tratamento começar, os pacientes recebem um antibiótico. Na manhã anterior à primeira ingestão, eles ainda fazem uma lavagem no ânus, para que as bactérias normais possam então começar a agir no intestino grosso.
Ao todo, são necessárias de 24 a 34 cápsulas, e nenhum dos pacientes analisados teve recaída por Clostridium difficile depois disso.
Sitiografia:http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/10/pilula-feita-com-bacterias-de-fezes-pode-combater-infeccoes-intestinais.html
Sitiografia:http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/10/pilula-feita-com-bacterias-de-fezes-pode-combater-infeccoes-intestinais.html
Bactéria encontrada na atmosfera pode gerar energia
Unidade 3 - Imunidade e controlo de doenças
Bacillus stratosphericus é o nome de uma bactéria rara na superfície terrestre, mas comumente encontrada em porções mais altas de nossa atmosfera. Ela se concentra numa altura superior a 32 quilômetros, na região conhecida como estratosfera. Cientistas da Universidade de Newcastle descobriram que esse microorganismo pode ser o componente principal de um novo tipo de gerador de energia. O estudo foi publicado na revista Journal of Environmental Science and Technology.
O uso de micróbios para gerar energia elétrica não é novo – eles já foram usados em estações de tratamento de água e esgoto. Para isso, os cientistas ligam as bactérias em um biofilme, uma espécie de superfície onde elas ficam grudadas umas as outras. Esse biofilme cobre elétrodos de carbono, criando um mecanismo chamado de Célula Combustível Microbiana. Conforme as bactérias se alimentam de matéria orgânica, elas produzem elétrons que passam para os eletrodos e geram energia.
O uso de micróbios para gerar energia elétrica não é novo – eles já foram usados em estações de tratamento de água e esgoto. Para isso, os cientistas ligam as bactérias em um biofilme, uma espécie de superfície onde elas ficam grudadas umas as outras. Esse biofilme cobre elétrodos de carbono, criando um mecanismo chamado de Célula Combustível Microbiana. Conforme as bactérias se alimentam de matéria orgânica, elas produzem elétrons que passam para os eletrodos e geram energia.
Até agora os biofilmes eram produzidos com bactérias aleatórias. Com o estudo da Universidade de Newcastle, é a primeira vez que cientistas manipulam seus componentes para aumentar a produção de energia. Os cientistas isolaram 75 espécies diferentes de bactérias e testaram a geração de energia de cada uma em separado.
Ao escolher as melhores, eles acabaram criando uma espécie de mistura bacteriana e aumentaram a potência elétrica do biofilme de 105 Watts por metro cúbico para 200 Watts por metro cúbico. Embora ainda seja baixo, será suficiente para acender uma lâmpada elétrica e providenciar energia para locais sem fontes energéticas.
A bactéria que mais se destacou na mistura foi justamente a Bacillus stratosphericus, que foi retirada de um rio britânico, depois de ser trazida à Terra como resultado de processos atmosféricos. Os cientistas dizem que ficaram surpresos com a descoberta e que pretendem pesquisar outros microrganismos. Afinal de contas, ainda existem bilhões de micróbios por aí para serem analisados
Sitiografia: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI296546-17770,00-BACTERIA+ENCONTRADA+NA+ATMOSFERA+PODE+GERAR+ENERGIA.html
Ao escolher as melhores, eles acabaram criando uma espécie de mistura bacteriana e aumentaram a potência elétrica do biofilme de 105 Watts por metro cúbico para 200 Watts por metro cúbico. Embora ainda seja baixo, será suficiente para acender uma lâmpada elétrica e providenciar energia para locais sem fontes energéticas.
A bactéria que mais se destacou na mistura foi justamente a Bacillus stratosphericus, que foi retirada de um rio britânico, depois de ser trazida à Terra como resultado de processos atmosféricos. Os cientistas dizem que ficaram surpresos com a descoberta e que pretendem pesquisar outros microrganismos. Afinal de contas, ainda existem bilhões de micróbios por aí para serem analisados
Sitiografia: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI296546-17770,00-BACTERIA+ENCONTRADA+NA+ATMOSFERA+PODE+GERAR+ENERGIA.html
Bactérias podem ser chave para perda de peso, diz estudo chinês
Unidade 3 - Imunidade e controlo de doenças
Na busca constante por soluções efetivas para o problema da obesidade, cientistas chineses estão estudando o impacto de certas bactérias sobre o peso da pessoa.
A equipe disse que alterar os tipos de bactérias encontradas nas vísceras pode trazer mais resultados do que simplesmente reduzir calorias.
Segundo estatísticas divulgadas pela Organização Mundial de Saúde, mais de 1,4 bilião de adultos com idade a partir de 20 anos estavam acima do peso em 2008.
Destes, 200 milhões de homens e 300 milhões de mulheres foram classificados como obesos. E os índices continuam crescendo - eles dobraram desde 1980.
Testes com ratos em laboratório identificaram uma associação entre bactérias e obesidade, mas experimentos com humanos ainda estão em fase inicial.
Sitiografia: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/bbc/2014/04/29/bacterias-podem-ser-chave-para-perda-de-peso-diz-estudo-chines.htm
Na busca constante por soluções efetivas para o problema da obesidade, cientistas chineses estão estudando o impacto de certas bactérias sobre o peso da pessoa.
A equipe disse que alterar os tipos de bactérias encontradas nas vísceras pode trazer mais resultados do que simplesmente reduzir calorias.
Segundo estatísticas divulgadas pela Organização Mundial de Saúde, mais de 1,4 bilião de adultos com idade a partir de 20 anos estavam acima do peso em 2008.
Destes, 200 milhões de homens e 300 milhões de mulheres foram classificados como obesos. E os índices continuam crescendo - eles dobraram desde 1980.
Testes com ratos em laboratório identificaram uma associação entre bactérias e obesidade, mas experimentos com humanos ainda estão em fase inicial.
Sitiografia: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/bbc/2014/04/29/bacterias-podem-ser-chave-para-perda-de-peso-diz-estudo-chines.htm
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Vacinação contra vírus do cancro do colo do útero fez desaparecer lesões pré-cancerosas
Unidade 3 - Imunidade e controlo de doenças
A vacinação contra o vírus do papiloma humano, principal responsável pelo cancro do colo do útero, parecia não servir para tratar lesões pré-cancerosas já instaladas. Cientistas mostraram agora que não é bem assim.
Os resultados preliminares de um pequeno ensaio clínico mostram que, nalgumas mulheres com lesões pré-cancerosas do colo do útero, um tratamento à base de vacinas experimentais contra o vírus do papiloma humano – o HPV, responsável pela grande maioria destes cancros – consegue desencadear uma resposta imunitária capaz de fazer regredir totalmente as lesões.
Até aqui, foram testadas diversas vacinas experimentais destinadas a tratar as lesões pré-cancerosas já instaladas, mas sem resultados convincentes. Em particular, os especialistas não conseguiram detectar, no sangue das pessoas vacinadas, alterações do sistema imunitário que indicassem sequer que o seu organismo estava a ser estimulado a lutar contra o vírus.
Mas agora, no seu ensaio clínico, em vez de se limitar a analisar o sangue, Cornelia Trimble, da Universidade Johns Hopkins (EUA), e colegas optaram por ir ver, mesmo no interior do tecido lesionado, se a vacinação estaria a surtir algum efeito “escondido”. E descobriram pela primeira vez que algo de significativo estava de facto a acontecer.
Os cientistas vacinaram 12 mulheres que apresentavam lesões pré-cancerosas, ditas "de alto grau", do colo do útero. Todas essas lesões estavam associadas à estirpe do vírus HPV16 – que juntamente com a estirpe HPV18, causa a grande maioria dos cancros do colo do útero.
Diga-se de passagem que as lesões pré-cancerosas de grau inferior podem desaparecer espontaneamente, sem cirurgia – e basta, numa primeira fase, vigiá-las. Mas 30% a 50% das lesões de alto grau dão origem a cancros invasivos – e como não há maneira prever quais o irão fazer, é preciso removê-las em todos os casos.
Três injecções
A equipa utilizou duas vacinas. Uma delas, feita à base de moléculas de ADN, provoca a produção pelo organismo de uma proteína específica do vírus HPV16 presente na superfície das células pré-cancerosas – incitando assim, em princípio, o sistema imunitário das participantes a reconhecer essas células como “inimigas”. A outra vacina, feita à base de um vírus vivo, mas não infeccioso, é capaz de detectar e matar as células pré-cancerosas que apresentam à sua superfície quer a já referida proteína do HPV16, quer uma outra, proveniente do HPV18.
Ao longo de oito semanas, a primeira vacina foi utilizada duas vezes (logo no início e a meio do tratamento), enquanto a segunda vacina foi administrada uma única vez no fim. Um grupo de seis participantes recebeu uma dose alta desta segunda vacina, enquanto outros dois grupos, de três participantes cada, receberam doses diferentes mas mais fracas, escrevem os cientistas. Sete semanas a seguir à terceira injecção (com a segunda vacina), todas as lesões foram removidas cirurgicamente e analisadas.
Os cientistas constataram, em primeiro lugar, que em cinco das mulheres – três das seis vacinadas com a dose mais alta da segunda vacina e uma em cada um dos dois grupos tratados com doses inferiores – as lesões tinham desaparecido. E ainda que as mulheres vacinadas a quem fora removido tecido lesionado após essas 15 semanas apresentavam, no interior das lesões, um significativo aumento dos níveis de linfócitos CD8 – as células “assassinas” do sistema imunitário.
Pelo contrário, nas amostras de sangue, também colhidas junto de todas as participantes, essa alteração não foi detectada com a mesma intensidade. Outros indicadores da activação do sistema imunitário também foram observados nas células do colo do útero de três das mulheres vacinadas. Até hoje, nenhuma das mulheres (a primeira foi vacinada em 2008 e a última em 2012) tornou a desenvolver lesões.
“Encontrámos alterações notáveis do sistema imunitário dentro das lesões, que não eram tão óbvias no sangue das doentes”, diz Trimble, citada em comunicado da Universidade Johns Hopkins.
Os cientistas tencionam recrutar mais uma vintena de voluntárias para testar uma combinação das duas vacinas com um creme aplicado directamente nas lesões, destinado a reforçar localmente a resposta imunitária.
A vacinação contra o vírus do papiloma humano, principal responsável pelo cancro do colo do útero, parecia não servir para tratar lesões pré-cancerosas já instaladas. Cientistas mostraram agora que não é bem assim.
Os resultados preliminares de um pequeno ensaio clínico mostram que, nalgumas mulheres com lesões pré-cancerosas do colo do útero, um tratamento à base de vacinas experimentais contra o vírus do papiloma humano – o HPV, responsável pela grande maioria destes cancros – consegue desencadear uma resposta imunitária capaz de fazer regredir totalmente as lesões.
Os autores do estudo, que publicaram os seus resultados na última edição da revista Science Translational Medicine,
esperam que a vacinação terapêutica venha um dia a substituir o actual
tratamento deste tipo de lesões, que consiste na sua remoção cirúrgica
de forma a impedir que evoluam para uma forma maligna.
Actualmente,
as vacinas comercializadas contra o HPV destinam-se a prevenir a
infecção do organismo humano por este vírus sexualmente transmissível,
nomeadamente nos jovens que ainda não iniciaram a sua vida sexual
activa. Porém, essas vacinas não funcionam como tratamento nas pessoas
que já foram infectadas quando, através de um esfregaço vaginal de
rotina, lhes é detectada uma lesão pré-cancerosa.Até aqui, foram testadas diversas vacinas experimentais destinadas a tratar as lesões pré-cancerosas já instaladas, mas sem resultados convincentes. Em particular, os especialistas não conseguiram detectar, no sangue das pessoas vacinadas, alterações do sistema imunitário que indicassem sequer que o seu organismo estava a ser estimulado a lutar contra o vírus.
Mas agora, no seu ensaio clínico, em vez de se limitar a analisar o sangue, Cornelia Trimble, da Universidade Johns Hopkins (EUA), e colegas optaram por ir ver, mesmo no interior do tecido lesionado, se a vacinação estaria a surtir algum efeito “escondido”. E descobriram pela primeira vez que algo de significativo estava de facto a acontecer.
Os cientistas vacinaram 12 mulheres que apresentavam lesões pré-cancerosas, ditas "de alto grau", do colo do útero. Todas essas lesões estavam associadas à estirpe do vírus HPV16 – que juntamente com a estirpe HPV18, causa a grande maioria dos cancros do colo do útero.
Diga-se de passagem que as lesões pré-cancerosas de grau inferior podem desaparecer espontaneamente, sem cirurgia – e basta, numa primeira fase, vigiá-las. Mas 30% a 50% das lesões de alto grau dão origem a cancros invasivos – e como não há maneira prever quais o irão fazer, é preciso removê-las em todos os casos.
Três injecções
A equipa utilizou duas vacinas. Uma delas, feita à base de moléculas de ADN, provoca a produção pelo organismo de uma proteína específica do vírus HPV16 presente na superfície das células pré-cancerosas – incitando assim, em princípio, o sistema imunitário das participantes a reconhecer essas células como “inimigas”. A outra vacina, feita à base de um vírus vivo, mas não infeccioso, é capaz de detectar e matar as células pré-cancerosas que apresentam à sua superfície quer a já referida proteína do HPV16, quer uma outra, proveniente do HPV18.
Ao longo de oito semanas, a primeira vacina foi utilizada duas vezes (logo no início e a meio do tratamento), enquanto a segunda vacina foi administrada uma única vez no fim. Um grupo de seis participantes recebeu uma dose alta desta segunda vacina, enquanto outros dois grupos, de três participantes cada, receberam doses diferentes mas mais fracas, escrevem os cientistas. Sete semanas a seguir à terceira injecção (com a segunda vacina), todas as lesões foram removidas cirurgicamente e analisadas.
Os cientistas constataram, em primeiro lugar, que em cinco das mulheres – três das seis vacinadas com a dose mais alta da segunda vacina e uma em cada um dos dois grupos tratados com doses inferiores – as lesões tinham desaparecido. E ainda que as mulheres vacinadas a quem fora removido tecido lesionado após essas 15 semanas apresentavam, no interior das lesões, um significativo aumento dos níveis de linfócitos CD8 – as células “assassinas” do sistema imunitário.
Pelo contrário, nas amostras de sangue, também colhidas junto de todas as participantes, essa alteração não foi detectada com a mesma intensidade. Outros indicadores da activação do sistema imunitário também foram observados nas células do colo do útero de três das mulheres vacinadas. Até hoje, nenhuma das mulheres (a primeira foi vacinada em 2008 e a última em 2012) tornou a desenvolver lesões.
“Encontrámos alterações notáveis do sistema imunitário dentro das lesões, que não eram tão óbvias no sangue das doentes”, diz Trimble, citada em comunicado da Universidade Johns Hopkins.
Os cientistas tencionam recrutar mais uma vintena de voluntárias para testar uma combinação das duas vacinas com um creme aplicado directamente nas lesões, destinado a reforçar localmente a resposta imunitária.
Em 50 médicos, 20 prescreveram antibióticos sem ser necessário
Unidade 3 - imunidade e controlo de doenças
Estudo da Deco conclui que “a prescrição desadequada de antibióticos continua em níveis preocupantes”. Ainda há demasiados médicos que receitam este tipo de fármaco para simples dores de garganta.
Portugueses continuam a achar erradamente que uma simples gripe se cura com antibiótico
Para avaliar se os médicos prescrevem antibióticos desnecessários e se as farmácias os vendem sem receita médica, colaboradores da Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor visitaram 120 estabelecimentos ao acaso na Grande Lisboa e no Grande Porto, queixando-se de uma mera dor de garganta. Em 50 médicos, 21 receitaram um antibiótico, já nas farmácias apenas uma vendeu este fármaco sem a receita médica obrigatória.
Nas 50 consultas, os médicos observaram a garganta e procuraram inteirar-se dos sintomas. Em 20 casos receitaram de imediato um antibiótico. Nos restantes 30, os “doentes” perguntaram, sem insistir, se não seria melhor tomar um daqueles fármacos. Um recebeu a prescrição com indicação de que só deveria usá-lo se piorasse, tivesse febre e pontos brancos na garganta, relata a revista da Deco Proteste, que fornece a lista das unidades de saúde, na sua esmagadora maioria do sector privado, onde as consultas tiveram lugar.
Nas farmácias, “a situação é menos inquietante”, avalia a Deco: “Pedimos um antibiótico sem receita médica em 70 estabelecimentos e só a Farmácia Faria, de Matosinhos, o dispensou.” Nos restantes, recomendaram sobretudo analgésicos e anti-inflamatórios. Cerca de metade dos profissionais alertaram ainda para a necessidade de consultar o médico, se o estado de saúde se agravasse.
Num estudo idêntico que a Deco publicou em 2007, a venda de antibióticos nas farmácias, na Grande Lisboa e no Grande Porto, rondava os 12%, uma proporção bastante superior à agora detectada, que não ultrapassa 1%. A prescrição médica também diminuiu: há sete anos, 57% dos médicos receitaram antibióticos para a dor de garganta; no presente estudo, 42% tiveram a mesma atitude.
O uso incorrecto e desregrado de antibióticos, como o que sugere este inquérito, tem contribuído para aumentar a resistência das bactérias, uma situação que actualmente é considerada um grave problema de saúde pública, tendo, também em Portugal, sido criado uma estratégia de saúde só para esse efeito. No Programa de Prevenção e Controlo de Infecções e Resistências aos Antimicrobianos explica-se que os antibióticos vieram revolucionar, a partir da década de 1940, o tratamento dos doentes com infecções, contribuindo para a redução da mortalidade. Mas que o seu uso, frequentemente inadequado, promoveu a emergência e selecção de bactérias resistentes e multirresistentes. Assim, o antibiótico passou a estar ameaçado de perda de eficácia, que se poderá traduzir em enorme retrocesso na história da medicina.
As infecções resistentes aos antibióticos matam 25 mil pessoas na União Europeia todos os anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Apesar das várias campanhas a alertar para os perigos do abuso do consumo de antibióticos e para a importância de estes medicamentos serem utilizados apenas com prescrição médica, muitos mitos continuam a persistir entre os portugueses: 69% dos inquiridos, num inquérito sobre este tema realizado pelo Eurobarómetro (organismo de estatísticas da União Europeia) no ano passado, continuam a acreditar que os antibióticos servem para matar vírus, quando apenas se destinam ao combate de bactérias que, estão, por exemplo, na origem das pneumonias, e 61% acham que são indicados para o tratamento de simples constipações e gripes, quando nestas situações são completamente ineficazes.
Sitiografia: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/em-50-medicos-20-prescreveram-antibioticos-sem-ser-necessario-1635258
Estudo da Deco conclui que “a prescrição desadequada de antibióticos continua em níveis preocupantes”. Ainda há demasiados médicos que receitam este tipo de fármaco para simples dores de garganta.
Portugueses continuam a achar erradamente que uma simples gripe se cura com antibiótico
Para avaliar se os médicos prescrevem antibióticos desnecessários e se as farmácias os vendem sem receita médica, colaboradores da Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor visitaram 120 estabelecimentos ao acaso na Grande Lisboa e no Grande Porto, queixando-se de uma mera dor de garganta. Em 50 médicos, 21 receitaram um antibiótico, já nas farmácias apenas uma vendeu este fármaco sem a receita médica obrigatória.
Todos os colaboradores da Deco foram previamente
avaliados para garantir a ausência deste tipo de problemas. Se
questionados pelo profissional, os colaboradores diziam que não
apresentavam febre nem outros sintomas, excepto um ligeiro incómodo ao
engolir.
Nas 50 consultas, os médicos observaram a garganta e procuraram inteirar-se dos sintomas. Em 20 casos receitaram de imediato um antibiótico. Nos restantes 30, os “doentes” perguntaram, sem insistir, se não seria melhor tomar um daqueles fármacos. Um recebeu a prescrição com indicação de que só deveria usá-lo se piorasse, tivesse febre e pontos brancos na garganta, relata a revista da Deco Proteste, que fornece a lista das unidades de saúde, na sua esmagadora maioria do sector privado, onde as consultas tiveram lugar.
Nas farmácias, “a situação é menos inquietante”, avalia a Deco: “Pedimos um antibiótico sem receita médica em 70 estabelecimentos e só a Farmácia Faria, de Matosinhos, o dispensou.” Nos restantes, recomendaram sobretudo analgésicos e anti-inflamatórios. Cerca de metade dos profissionais alertaram ainda para a necessidade de consultar o médico, se o estado de saúde se agravasse.
Num estudo idêntico que a Deco publicou em 2007, a venda de antibióticos nas farmácias, na Grande Lisboa e no Grande Porto, rondava os 12%, uma proporção bastante superior à agora detectada, que não ultrapassa 1%. A prescrição médica também diminuiu: há sete anos, 57% dos médicos receitaram antibióticos para a dor de garganta; no presente estudo, 42% tiveram a mesma atitude.
O uso incorrecto e desregrado de antibióticos, como o que sugere este inquérito, tem contribuído para aumentar a resistência das bactérias, uma situação que actualmente é considerada um grave problema de saúde pública, tendo, também em Portugal, sido criado uma estratégia de saúde só para esse efeito. No Programa de Prevenção e Controlo de Infecções e Resistências aos Antimicrobianos explica-se que os antibióticos vieram revolucionar, a partir da década de 1940, o tratamento dos doentes com infecções, contribuindo para a redução da mortalidade. Mas que o seu uso, frequentemente inadequado, promoveu a emergência e selecção de bactérias resistentes e multirresistentes. Assim, o antibiótico passou a estar ameaçado de perda de eficácia, que se poderá traduzir em enorme retrocesso na história da medicina.
As infecções resistentes aos antibióticos matam 25 mil pessoas na União Europeia todos os anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Apesar das várias campanhas a alertar para os perigos do abuso do consumo de antibióticos e para a importância de estes medicamentos serem utilizados apenas com prescrição médica, muitos mitos continuam a persistir entre os portugueses: 69% dos inquiridos, num inquérito sobre este tema realizado pelo Eurobarómetro (organismo de estatísticas da União Europeia) no ano passado, continuam a acreditar que os antibióticos servem para matar vírus, quando apenas se destinam ao combate de bactérias que, estão, por exemplo, na origem das pneumonias, e 61% acham que são indicados para o tratamento de simples constipações e gripes, quando nestas situações são completamente ineficazes.
Sitiografia: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/em-50-medicos-20-prescreveram-antibioticos-sem-ser-necessario-1635258
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